Na tentativa de responder parte dessas perguntas lançadas no post anterior, parti pra pesquisa. Mas por onde começar? Essa é uma boa pergunta.
Não sou lá muito indicada para falar aqui de metodologias de trabalhos científicos e afins, ainda sou nova no curso para dar aqui aula de pesquisa e o objetivo mesmo não é esse. Só sei que durante esse primeiro período de recorte, tive a necessidade de bibliografia.
Precisava ler para saber onde queria chegar e hoje, encerrando meus seis meses iniciais de um projeto, é interessante a sensação de estar voltando para o mesmo lugar, como os tornados que se impulsionam para frente, mas em movimentos circulares.
Após boas leituras sobre segurança pública, sobre jornalismo especializado e programas policiais, pude enfim partir pra onde decidi que queria: a rua. Estava na hora de ver o rosto daqueles números presentes em estatísticas do IBOPE, na hora de descobrir quem é que assiste programa policial e por que.
Mas de que modo chegar até eles? Que forma seria mais rica? Foi quando descobri a Observação Participante, um método de pesquisa utilizado por antropólogos e sociólogos que consiste em conviver com seu objeto. Ir até ele, estar com ele, e assim observá-lo em suas ações mais espontâneas, sem a possibilidade de teatro ou de timidez muitas vezes gerada pela entrevista, pelo gravador.
Perfeito. Como uma luva.
Fazendo uso da Observação Participante, fui às ruas fazer um caminho inverso, pouco estimulado nesses nossos tempos de monopólio da mídia: o estudo de recepção.
Estudar o receptor nada mais é que fazer algo simples, quase essencial, perguntar a alguém o que ele prefere assistir e porquê.
Em uma situação ideal, seria lógico que isso fosse estimulado pelas próprias emissoras, numa atitude de aceitação de um feedback dos espectadores. Mas sejamos francos, quem dessa fatia midiática está realmente preocupado em ouvir seus consumidores, não é?
Assim sendo, resta ao pesquisador caminhar contra a corrente em busca de algo muito simples, que se torna cada vez mais interessante a medida que ele se aproxima e senta na mesa de um bar pra assistir TV com um desconhecido: conhecimento do outro.